Nova Olinda, no sul do Ceará, torna-se palco de uma jornada pelo coração da Chapada do Araripe. Lançado no VII Seminário Internacional Bacia Cultural Sociobiodiversa da Chapada do Araripe – Patrimônio da Humanidade, o jogo de tabuleiro “Imaginário Cariri” transforma diversão em um momento para redescobrir e explorar a historicidade e a cultura locais.

Sob a temática “Patrimônio e Infância”, o seminário, realizado entre os dias 21 e 23 de maio de 2026, foi a oportunidade ideal para o lançamento desse projeto que é uma iniciativa desenvolvida pelo SMD LAB – Laboratório Experimental de Jogos, Comunicação e Audiovisual, coordenado pela professora Andrea Pinheiro e pelo Incrível Grupo de Estudos em Jogos de Tabuleiro (IGREJOTA), coordenado pelo professor Glaudiney Mendonça, vinculados ao Curso de Sistemas e Mídias Digitais (SMD) do Instituto Universidade Virtual da Universidade Federal do Ceará (UFC).

Além disso, colaboraram também com a concepção do projeto professores, egressos, estudantes e servidores da universidade e crianças e adolescentes de 5 a 16 anos que integram a Fundação Casa Grande – Memorial do Homem do Kariri. Na construção do jogo, os caminhos foram traçados a partir do projeto “Cultura lúdica da Chapada do Araripe: criação de jogo de tabuleiro em coautoria com crianças da Fundação Casa Grande” apoiado pela Secretaria da Cultura do Estado do Ceará (Secult Ceará) e pela Pró-Reitoria de Cultura da UFC.
“Imaginário Cariri”, produto genuinamente cearense, voltado para crianças a partir dos 11 anos, não é apenas um simples jogo de tabuleiro, mas uma experiência que une memórias das riquezas culturais da Chapada do Araripe aos recursos de acessibilidade, onde a inclusão ganha espaço agregando as narrativas da diversidade.

Leonardo Ferreira – designer e ilustrador – descreve um pouco sobre o processo de criação das ilustrações “coloquei meu traço, mas queria que o desenho das crianças e as coisas mais marcantes fossem preservadas nessa tradução que fizemos dos desenhos delas para o jogo final. A felicidade foi enorme quando os personagens foram para essa camada do jogo e elas reconheceram e ficaram superfelizes e admirando a própria criação.”
Assim, a dinâmica do jogo alcança outro patamar, o da inclusão, já que aposta nos recursos de acessibilidade para trazer o ambiente imagético às pessoas com deficiência visual. Para Allan George Bezerra – técnico administrativo em educação do Instituto UFC Virtual e agente de acessibilidade do projeto – “esse jogo foi um desafio que quebrou tabus para muita gente. Quem acessar o Imaginário Cariri não só vai se divertir, não vai só conhecer a cultura da Chapada do Araripe, os mestres da cultura, os objetos, os locais, as lendas, mas também vai perceber que é possível, sim, adaptar algo tão visual, algo que precisa ser rápido para pessoas com deficiência.
O momento lúdico se propõe a criar um espaço de construção de laços e de preservação dos aspectos culturais e históricos por meio de artefatos e locais simbólicos típicos da região. Além disso, para o professor Glaudinei Mendonça, o jogo traz uma importante mudança de perspectiva também para os fabricantes acerca da possibilidade de trabalhar com a acessibilidade “fomos até os produtores, conversamos sobre as possibilidades fazê-lo, os elementos táteis, como poderíamos disponibilizar os recursos necessários para o jogo ser jogado por pessoas com dificuldade visual. E a gente conseguiu encontrar soluções que poderão ser utilizadas futuramente em outros projetos” ressalta.